O FILME COMO CONHECIMENTO HISTÓRICO EM SALA DE AULA





Eduardo Peixoto, José Lemos, Rogério Santos e Sandro Job
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Licenciatura em História 
25/06/2016


RESUMO


Com o objetivo de estudar o conhecimento histórico através do cinema veremos no texto que se segue o inicio utilização do cinema com tema histórico, o “cinema épico”,  em um apanhado geral do mesmo  ao longo dos tempos e a trajetória e a divulgação do cinema como fonte de estudo em sala de aula, também enfatizando o cinema como documento hstórico e a aplicação desta ferramenta como instrumento de trabalho em sala de aula.

Palavras-chaves:Cinema. História. Metodologia.



1 INTRODUÇÃO

 O presente trabalho é sobre o uso do cinema como ferramenta de ensino-aprendizagem de História em sala de aula. Por esta questão viemos,  por meio deste artigo,  fazer uma breve reflexão de como os estudiosos veem através deste viés na construção de um senso critico dos alunos e também de como alguns autores são contra este processo.
Temos como objetivo desenvolver o senso crítico e estabelecer a relação entre o cinema na sala de aula bem como as suas implicações. Este trabalho esta organizado em duas partes, sendo assim,  a primeira parte é de O cinema como tema histórico,  onde será abordado desde o inicio do cinema passando pelos filmes épicos até a mistura de fatos reais com a ficção.  Na segunda parte o Filme na sala de aula e verificando as metodologias usadas. A metodologia usada neste artigo foi a pesquisa bibliográfica, bem como pesquisa efetuada na internet.

2  O CINEMA COM TEMA HISTÓRICO

Assim que o cinema foi inventado logo surgiram ideias de como “propagar” essa arte e de como chamar a atenção do público. Os irmãos Lumiére afirmavam que sua invenção não tinha grandes poderes de manter a atenção e que, logo seria esquecida. Porém, sabemos que não foi bem isso o que aconteceu. Em pouco tempo um gênero de “fazer cinema” ganharia a atenção do público: o cinema que misturava fatos fictícios com fatos reais. O cinema “histórico”. Que veio, mais tarde a ser chamado de “cinema épico”. Este gênero de cinema tornou-se o gênero mais apropriado para grandes narrativas heroicas. Nem a literatura conseguiu prender o público com a mesma intencidade que este gênero de cinema conseguiu. Jean-Loup Bourget (1992) nos diz o seguinte:  “Mesmo o talento de Flaubert, nas páginas de Salammbô, abundantes até a saturação, não conseguem nos fazer ver Carthage como o cinema nos faz ver Roma ou a Babilônia” (BOURGET, 1992, p.14)
A “sétima arte”, em função de ser uma arte visual, consegue fazer com que o espectador assimile muito mais fácil a época histórica em que se desenrola o enredo. Isso facilita o entendimento de toda a trama do filme, bem como, embelezando e dando “asas” à imaginação. A lista de filmes com temas Históricos, ou seja, Filmes Épicos, é enorme. Um dos primeiros grandes nomes desta lista é o clássico italiano Cabíria (1914) de Pastrone; na sequência podemos citar   The Birth of a Nation (1915) e Intolerance (1916) de Griffith. Estes filmes surtiram grande efeito positivo para os cinéfilos de então. Isto encorajou outras produtoras a elaborarem outros títulos. Seguindo nossa lista aparecem os filmes históricos com temas bíblicos. Afinal de contas, eram histórias conhecidas pelo grande público e que, com certeza, seriam sucesso de bilheteria! Surgem no cenário mundial do cinema de então títulos como , Leaves Out of Satan´s Book (1920) de Carl Dreyer, Sodoma e Gomorra (1922) de Michael Curtiz,  o austríaco Samson and Delilah (1922) de Alexander Korda, as primeiras versões dos Dez Mandamentos (1923) e de Rei dos Reis (1927), ambos por Cecil B. DeMille, a primeira versão em longa-metragem de Ben-Hur (1925), de Fred Niblo, e A Arca de Noé (1928) também de Michael Curtiz. Podemos citar, também, os que não tinham tema bíblico:  Die Nibelungen (1924) de Fritz Lang e Napoléon (1927) de Abel Gance. Importante, neste momento, lembrar da presença do inesquecível Gone with the wind que, como citamos acima, mistura fatos e personagens fictícios com fatos e personagens reais da história dos Estados Unidos da América. (BOURGET, 1992)
E assim, o cinema com tema histórico, ou seja o cinema Épico, foi tomando forma e desenvolvendo-se, sendo aceito cada vez mais pelo grande público e, criando as mais variadas vertentes: políticas, patrióticas, mitológicas ou literárias, ou ainda a biografia de personagens históricos. O tempo passou, as técnicas cinematográficas modificaram-se mas, o gênero Épico nunca saiu de moda. Sempre há, pelo menos, um filme em cartaz do gênero.  Modificaram-se as tecnologias mas a fórmula continuou a mesma: um herói histórico, poesia na trama e mistura de fatos reais com ficção. Bourget  nos afirma o porquê do sucesso do cinema épico:

Comparando com a literatura, para entender ou ter em mente o cenário histórico em que se passa determinada cena, é preciso ler um grande número de páginas. No cinema se faz isso em segundos apenas “deslizando o olhar” na tela. O resultado é imediato! Um segundo motivo a ser citado é que temáticas consagradas, com temas históricos, sempre tiveram um grande sucesso e aceitação do público em geral. A psicologia nos dá uma explicação para tal fenômeno: o público projeta-se na história, querendo fazer parte dela, e realizando seus desejos de “ser grande na história”.  (BOURGET, 1992)

No que toca à psicologia, para explicar o poder do cinema Épico e sua influência sobre as pessoas, também podemos sitar Sigmund Freud:

(...) há a formação de um laço emocional com um objeto na medida em que o ego se identifica com ele, e que, conforme este laço se torna mais forte, as características deste objeto são introjetadas para o ego, de tal forma que o ego baseia-se nesta identificação como um modelo até ao ponto de segui-lo (FREUD, 1976, p.23).

Quando falamos em cinema épico, é possível dizer que essa identificação com o tema ou com a personagem mitológica ou histórica que, por sua vez, possue suas ações baseadas na verdade e na virtude, no bem, no heroísmo, é imediata e atinge, “em cheio”, o desejo comum a todas as pessoas: ser aceito e invejado por todos.
Como podemos perceber, esse gênero de cinema, o Épico, o Histórico,  está, há muito tempo, fazendo parte de nossas vidas e das bilheterias cinematográficas mundiais. Nada mais justo do que este gênero, devido à sua grande abundância, ser utilizado e aproveitado para o ensino da disciplina de História em nossas escolas.


3  O FILME NA SALA DE AULA

Não é de hoje o debate que destaca a necessidade das escolas e dos educadores se adequarem às novas demandas da sociedade contemporânea. O cinema é a primeira arte que se auto representa como imagem e representação da realidade, podendo contribuir de forma decisiva na interpretação e reelaboração do real. No entanto, não se trata apenas do uso do cinema como ilustração de conteúdos históricos ou de análises críticas, e sim aprender a pensá-lo como recurso didático com critérios e metodologia na direção do conhecimento e de uma práxis reflexiva. (MENDES,2014)

 Desta forma, é fundamental compreender a relação que se estabelece não só do cinema na sala de aula e todas as implicações que isso carrega, como também apreender como o cinema utiliza a história como matéria prima nas produções do chamado gênero histórico.

Segundo Mendes (2014), percebemos a dimensão educacional do cinema na medida em que esta arte se transformou num dos mais importantes recursos didáticos no ensino de História, principalmente após as décadas de 1960 e 1970, com as mudanças tecnológicas, passando, na atualidade a ser utilizado como instrumento de trabalho fundamental ao educador. O cinema é um elemento que suscita indagações, novas leituras, promove integrações, analisa e interpreta a realidade, e ainda, como objeto de arte sensibiliza para novas experiências não vividas.

Partindo dessa  premissa, os educandos devem ser levados a desenvolver sua capacidade crítica de inferências e interpretações acerca da sociedade do presente e do passado. A  arte é um elemento fundamental no desenvolvimento do olhar do educando sobre si e sobre seu entorno, como nos aponta Junior (2009, p.21)

Por meio da arte, é possível desenvolver a percepção e a imaginação para apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada.


 Napolitano (2010) relata que a reflexão sobre o uso do cinema como instrumento do trabalho didático colabora e fornece material para a construção de novas práticas tão essenciais para a renovação de nossas escolas. Assim, também é uma necessária contribuição ao campo historiográfico na compreensão de como o cinema se apropria dos temas históricos na atualidade, as suas transformações e permanências, e como isso requer leituras sempre atualizadas por parte dos profissionais da História. Não é mais possível encarar o cinema apenas como recurso auxiliar que demonstra ou ilustra o que foi trabalhado. O cinema é um elemento de trabalho para suscitar indagações e auxiliar no processo investigativo próprio do ensino de história.

Ao escolher um ou outro filme para incluir nas suas atividades escolares, o professor deve levar em conta o problema da adequação e da abordagem por meio de reflexão prévia sobre os seus objetivos gerais e específicos. Os valores que costumam influir no desenvolvimento e na adequação das atividades são: possibilidades técnicas e organizativas na exibição de um filme para a classe; articulação com o curriculo e/ ou conteudo discutido, com os conceitos discutidos; adequação a faixa etária e etapa específica da classe na relação ensino aprendizagem. (NAPOLITANO, 2010, p. 16)

De acordo com Mendes (2014), o cinema vem sendo frequentemente utilizado em sala de aula, mesmo fora dos grandes centros urbanos. As condições de acesso, superação de alguns obstáculos crônicos na educação brasileira e a diversificação e atualização na formação contínua dos professores têm contribuído para esse aumento desejável no uso dos filmes nas salas de aula. É algo positivo que auxilia os professores, propiciando aos alunos uma melhor compreensão do tema abordado. No caso da História, especificamente, aproxima o aluno do conteúdo trabalhado, sugere novas indagações, promove o debate através da relação passado/presente.

O cinema pode ser considerado "nova" linguagem centenária, pois apesar de haver completado cem anos em 1995 a escola o descobriu tardiamente. O que não significa que o cinema não foi pensado desde os seus primordios, como elemento educativo, sobre tudo em relação ás massas trabalhadoras. Trabalhar com o cinema em sala de aula é ajudar a escola a reencontrar a cultura ao mesmo tempo cotidiana e elevada, pois o cinema é o campo no qual  a estética, o lazer, a ideologia e os valores sociais mais amplos são sintetizados numa mesma obra de arte. (Napolitano, 2010, p 11 e 12)

Porém, é frequente problemas quanto à utilização do cinema enquanto recurso didático. Problemas como a falta de preparo do professor que recorrentemente ocasiona outro problema, a falta de percepção dos alunos que não veem a exibição do filme como parte do conteúdo estudado. É muito comum o filme ser utilizado em sala de aula como um“tapa buracos”, reforçando a ideia do aluno de que aquela exibição não tem sentido educacional, pois se trata apenas de uma forma de “passar o tempo”, ou para ilustrar o que está no livro, ou pior ainda,não tem sentido algum e está desvinculado dos estudos realizados. (MENDES, 2014)

Segundo o autor acima, sem orientação, preparo e direcionamento os alunos não estabelecem relações, não constroem hipóteses e de desinteressam causando dispersão, o que normalmente é gerador de indisciplina. Assim, o desinteresse e o não cumprimento do objetivo é decorrência da falta de uma discussão ampliada sobre a utilização do cinema enquanto um instrumento didático de ensino, sendo a preparação algo imperativo para os alunos compreenderem o porquê da utilização do filme e seus benefícios.

Os filmes colaboram na leitura da realidade e pode ser visto como fonte geradora de problematizações e debates, sendo importante recurso para ensino desde que ligado ao plano de ensino e os objetivos propostos. O papel do professor é de ser o mediador entre a obra, o objetivo e o aluno, é ele o responsável por dar sentido e logicidade ao trabalho. Assim, o professor deve observar dois elementos essenciais: a articulação do filme com o conteúdo discutido e a adequação à faixa etária e etapa em que se encontra a turma. (NAPOLITANO, 2010)

No ano de 1998 o Ministério da Educação divulgou os Parâmetros Curriculares Nacionais, que estabeleciam diretrizes para o ensino em todos os níveis da educação. Esse documento pode ser entendido como uma fonte para estudo de concepções predominantes com relação ao ensino e a  aprendizagem. Quanto à utilização de filmes no ensino de História, o texto oficial sentencia:

No caso de trabalho com filmes que abordam temas históricos é comum a preocupação do professor em verificar se a reconstituição das vestimentas é ou não precisa, se os cenários são ou não fiéis (...) um filme abordando temas históricos ou de ficção pode ser trabalhado como documento, se o professor tiver a consciência de que as informações extraídas estão mais diretamente ligadas à época em que a película foi produzida do que à época que retrata (...) Para evidenciar o quanto os filmes estão impregnados de valores da época com base na qual foram produzidos tornam-se valiosas as situações em que o professor escolhe dois ou três filmes que retratem um mesmo período históricos e com os alunos estabeleça relações e distinções, se possuem divergências ou concordâncias no tratamento do tema (...) Todo esforço do professor pode ser no sentido de mostrar que, à maneira do conhecimento histórico, o filme também é produzido, irradiando sentidos e verdade plurais (BRASIL, 1998, p.88).

Toda produção fílmica é conveniente para que o aluno possa perceber que todo filme é uma possibilidade de representação, um recorte de uma realidade social, portanto, não está livre da ideologia e do contexto em que está inserido. Aí reside à riqueza da linguagem cinematográfica como recurso, um instrumento inesgotável de debate, formação e construção da criticidade.


4  CONSIDERAÇÕES FINAIS


Neste trabalho abordamos a importância da inserção do cinema em sala de aula mostrando que os alunos podem e devem usar o cinema como fonte histórica observando e filtrando os aspectos mais relevantes. Cumprimos parte dos objetivos propostos pois houve apenas pesquisa bibliográfica e também com o auxilio da internet faltando a pesquisa oral, sendo assim concluímos que a inserção do cinema em sala de aula é fundamental para os alunos terem uma maior e melhor absorção dos conteúdos sugeridos pelos professores e principalmente na disciplina de História pois a gama de filmes épicos a disposição é muito grande.


REFERÊCIAS

BOURGET, Jean-Loup. A História do Cinema – O passado revivido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992

BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Básica. Brasília: Imprensa Oficial, 1998.

FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do eu. Rio de Janeiro: Ediouro, 1976

JÚNIOR, Alberto Lucena Barbosa.  Arte da Animação – Técnica e estética através da História.  2005. Disponível em: < https://books.google.com.br/books> Acesso em 09/04/2015.
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MENDES, Lilian Marta Grisolio. O Ensino de História e om Cinema: problematização do uso da produção cinematográfica sobre o passado na sala de aula. 2014. Disponível em: < http://www.encontro2014.rj.anpuh.org > Acesso em 07/04/2015.

NAPOLITANO,  Marcos. Como usar o Cinema na sala de aula. 4.ed.São Paulo: Contexto, 2010.


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