HALLOWEEN, DIA DE TODOS OS SANTOS E FINADOS



A celebração do Dia de Todos os Santos e de Finados é comemorada nos dias 1º e 2 de novembro devido a tentativa dos cristãos antigos de combater o paganismo celta da festa do Samhain, que originou o Halloween.Todas as três comemorações estão ligadas a ideia da sobrevivência dos espíritos humanos após a morte e sua interferência no mundo dos vivos.
O Halloween tem sua origem nas antigas celebrações de fim de ano dos povos celtas que, na Antiguidade, ocuparam principalmente as regiões que hoje pertencem a França, Irlanda e a Grã-Bretanha. Os celtas eram dirigidos moral e espiritualmente por uma elite sacerdotal, os druídas, que eram os guardiões das tradições e religião célticas, as quais incluíam a crença em vários deuses, gnomos, bruxas, fadas, adivinhação, etc. Os druídas serviam de elo de ligação entre as várias tribos celtas e lhes serviam de adivinhos e conselheiros.
No hemisfério norte, o inverno inicia-se em novembro. Os povos primitivos eram muito sensíveis e impressionáveis com as estações do ano (por causa das colheitas) e a mudança de estação era assinalada por alguma festividade. A chegada do inverno para os povos célticos representava a passagem de uma época de prosperidade (dias mais claros e época da colheita) para uma época de escassez (dias mais escuros e infrutíferos), de um período de luz para um período de trevas. Para os celtas a chegada do inverno além de iniciar um ano novo, lembrava a morte.
Sendo assim na noite do último dia do ano celta, nosso atual 31 de outubro, se comemorava a festa do Samhain (“fim do sol” ou “fim da luz”). Os celtas acreditavam que na virada do ano (que começava no nosso 1º de novembro), havia abertura entre o mundo dos vivos e o dos mortos, e estes retornariam à terra em busca de seus familiares e de calor humano. Além de se desejarem felicidades pela virada do ano, os celtas se dedicavam a adivinhações, pois se cria que a presença dos espíritos dos mortos tornavam mais fáceis para os druídas predizer o futuro e aconselhar o povo com suas “profecias”. Porém havia também o lado sombrio da festa: acredita-se que bruxas, fadas e gnomos destruíam as colheitas, roubavam crianças e matavam o gado; a presença dos espíritos podia causar prejuízos e confusão às pessoas se eles não fossem devidamente recebidos. Os celtas reagiam a isso das seguintes maneiras:
a) Acendiam enormes fogueiras para se sacrificar produtos agrícolas e animais para apaziguar e afugentar as entidades hostis e acendiam lanternas para iluminar o caminho dos mortos;
b) Ofereciam comida e vinho do lado de fora das casas que para os espíritos dos mortos não resolvessem entrar e em troca das suas “bênçãos”, pois também tinham medo que os espíritos se vingassem se não fossem bem recebidos;
c) As pessoas que saíssem de casa após o pôr-do-sol se vestiam com roupas fantasiosos e máscaras para que os espíritos as confundisse com outro espírito e não as levassem para o mundo dos mortos .
E assim se marcava a transição de um ano para o outro na cultura celta.
Na evangelização dos celtas, pelos séculos IV-VIII da era cristã, os cristãos constataram que a festa do dia de Samhain, bem como outras festas pagãs, estava profundamente enraizada na vida desse povo. A estratégia da Igreja de então foi substituir a festa pagã por uma festa cristã na mesma época . Sendo assim, em 737, o Papa Gregório III escolheu a data de 1º de novembro para celebrar a festa da consagração de uma capela na basílica de São Pedro (Roma) em honra de Todos os Santos . Em 834 o Papa Gregório IV estendeu a festa a toda Igreja. Em 908, Odilon, abade do mosteiro de Cluny, na França, começou a celebrar no dia 2 de novembro a reza em favor do descanso das almas no Purgatório, o que também mais tarde foi estendido aos demais cristãos por outros Papas , iniciando-se assim o que conhecemos como Dia de Finados. Desta maneira procurava-se “cristianizar” a celebração da vinda dos espíritos dos mortos praticada pelos druídas.
Portanto, as comemorações católicas romanas dos dias 1º e 2 de novembro surgiram para combater a festa de Samhain, que originou o Halloween. Na Inglaterra, o dia 1º de novembro passou a ser designado por All-hallows (ou All-Hallowmas) que quer dizer “Todos os Santos”; e a noite anterior, noite de 31 de outubro, passou a ser chamada de All-Hallows-Eve, isto é, “véspera de todos os Santos”, de onde vem a palavra Halloween. Esse período era celebrado de maneira muito similar ao Samhain com grandes fogueiras, desfiles e fantasias de santos, anjos e demônios. O oferecer alimentos aos mortos foi substituído pelo hábito de os pobres pedirem comida às famílias. Estas lhe davam um bolo (chamado de soul cakes, bolos da alma) como “gratificação” pelos pobres rezarem pela alma dos defuntos das famílias. De tão ligadas que estavam, as três festas eram designadas por um só nome: Hallowmas!
A noite de 31 de outubro foi preservada como uma noite muito especial para ritos e encantamentos, consagrando, dessa maneira, essa data como hoje tem sido conhecida: o dia das bruxas.
Halloween tem sido comemorado com entusiasmo; como a cultura norte-americana exerce forte influência sobre o mundo, tem essa “festa” sido celebrada até em países que nada tem a ver com a cultura anglo-saxônica, como o Brasil.
O forte em nosso país, porém, não é o Halloween, e sim o Dia de Finados, devido a nossa herança sincretista luso-católica e afro-espiritualista.




FONTE:
ARAÚJO, Joalcemar. Dia das Bruxas, de Todos os Santos e Finados: origens e reflexões. Disponível em <http://www.projetovidanova.com.br/opiniao/joalsemarDiaDas.php> . Acesso em 16/03/2017

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